Olá, imparável! Salve Maria! Tudo bem?
A vida é uma caixinha de surpresas. Tem gente que se casa e, depois, a sua “cara metade” pode se mostrar outra pessoa. Tem filhos, mas não sabe o que esperar da adolescência. Faz uma compra online; o produto simplesmente não chega. Contrata um colaborador, mas ele não se compromete com os prazos.
E a vida que esperávamos que fosse mais fluida, como as águas de um rio, é desviada ou interrompida por pedras e árvores caídas.
A vida não avisa quando vai mudar de direção, mas como (re)agimos pode dizer muito sobre a gente.
O que nos resta, então, é respirar fundo, buscar um caminho lá no fundo do coração. Não se pode deixar bloquear por esses obstáculos. Só assim conseguiremos chegar ao nosso destino e pisar no céu.
Você é o que você faz.
No livro Você é o que você faz, Ben Horowitz explica o que é a “cultura” de uma empresa: “cultura é o modo como a empresa toma decisões quando você não está lá”. E o que as pessoas entendem como o que elas deveriam fazer baseia-se muito mais na forma como veem as pessoas agindo do que no “manual de integração” que explica como o colaborador deve agir.
E, considerando que o curso das coisas pode não seguir como planejado, se nada se faz quando algo não sai como esperado, um “novo padrão” pode começar a se estabelecer.
Assim, o discurso que você prega precisa estar alinhado às suas ações. Se você vai à missa aos domingos porque é temente a Deus, esse mesmo temor também precisa estar presente em suas decisões e ações no trabalho, no trato com fornecedores e clientes, bem como na vida pessoal.
Para Ben, as outras pessoas têm as próprias ideias sobre como você deve ser, mas, se você tentar incorporar todas essas ideias de forma inconsistente com suas crenças e personalidade, perderá sua essência, aquilo que te faz especial.
Se você tentasse copiar outra pessoa, por exemplo, ao adotar o estilo de liderança alheio, seja porque está em uma posição superior ou para atender a expectativas alheias, acabaria se contradizendo com o que acredita. Abriria mão do seu próprio ponto de vista, enfraqueceria e até poderia perder sua base.
Nossas ações se refletem no ambiente em que estamos inseridos, seja na família ou no negócio. No caso de uma posição de liderança, isso se refletirá na cultura de sua empresa. Segundo Bem, “as pessoas tornam-se a cultura na qual vivem”.
Assim, você precisa acreditar nos seus princípios e transmiti-los ao grupo. Isso você faz com o que você faz, não com o que você fala. Se você convence alguém com o que diz, mas suas ações não refletem isso, uma hora a “máscara cai” e as pessoas deixarão de acreditar.
Uma vez que suas ações refletem o que você fala, as pessoas absorverão e aplicarão, em diferentes lugares e situações, mesmo quando você não estiver lá.
Bote fé nas suas ações.
O ser humano que recebeu o sopro da vida de Deus, antes do pecado original, o buscava de forma natural. Mas depois, a conexão se rompeu e agora cada um de nós precisa repará-la individualmente, e esse esforço é sobrenatural.
Pelo Batismo, somos purificados do pecado original (Catecismo da Igreja Católica, CIC 1263) e abrimos o caminho para receber as graças. A fé nos une a Cristo. Quanto mais fé temos, mais permanecemos conectados a Deus. Ela nos ajuda a evitar os caminhos errados que nos afastam de Deus. Quem não tem fé está mais suscetível a escolher esses caminhos.
O que é ter fé? Não é dizer a Deus o que queremos, mas confiar que Ele sabe o que é melhor para nós e em que momento. É ter certeza de que Cristo conhece nossas necessidades. Santo Agostinho (Confissões) expressou isso perfeitamente: “nos criaste para ti, e nosso coração está inquieto, até que repouse em ti”. Por isso, devemos permanecer firmes, mesmo quando inquietos.
O padre Adolphe Tanquerey (Compêndio de Teologia Ascética e Mística) afirma que “para crer em alguém, é necessário ter confiança nele”. Você tem pedido a Jesus que conduza suas ações e confiado nele?
“Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna.” (João 3,16)
Enquanto o mundo aplaude quem vence, talvez nunca saibamos se o vencedor chegou lá pelos caminhos certos, seguindo os processos, sem atropelar nenhum compliance.
Mas cada um de nós sabe quais caminhos escolhe e quais lutas quer vencer.
A vida é feita de decisões e planos constantes. Alguns planos não darão tempo de concluir porque não sabemos quando partiremos, mas, enquanto vivemos, temos que, a cada dia, buscar fazer as coisas certas (retas), dentro dos princípios básicos da vida do católico, definidos por Deus, confiantes de que Ele é justo.
Enquanto vivemos em um mundo em que procuramos atalhos, listas prontas e oportunidades para dar um passo mais rápido, estamos focando no mundo e esquecendo da fé, que é o único “caminho”.
Se suas ações estão desassociadas de sua fé, é preciso olhar para “dentro”, refletir e ajustar o que precisa, para enraizar essa fé de modo que reflita em todas as suas ações.
O padre Antonio Royo Marín (A espiritualidade dos leigos) explica que a fé:
- É o que nos move para Deus, e “somente a graça de Deus pode salvar esta distância infinita”.
- Nos conecta ao sobrenatural. Não é preciso ver para crer.
- Nos faz acreditar e acalmar, mesmo quando não parece ter explicação.
- Nos faz aceitar mesmo quando não podemos entender.
Segundo o padre Antonio, “é preciso amar nossa fé, cuidar dela, protegê-la e desenvolvê-la na oração e no estudo”.
Fé não é dizer a Deus o que se deseja, mas é buscar entender o que Deus deseja de nós. As ações que você faz, fará ou terá que fazer te afastam ou aproximam de Deus? E, se são ações que te aproximam de Deus, quais habilidades são necessárias e precisam ser aprimoradas? Que defeitos precisam ser combatidos?

”[…] corramos com perseverança para o certame que nos é proposto, com os olhos fixos naquele que é o iniciador e consumador da fé, Jesus […]” (Hebreus 12,1-2)
Como ensina São Luís Maria Grignion de Montfort (Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem), precisamos ter como referência aquela que teve tanta fé em seguir os desígnios de Deus, Nossa Senhora. Agora, ao lado do seu Filho, pode interceder por nós para fortalecer nossa fé principalmente diante das tribulações. Roguemos a ela que nos dê sabedoria para fazer escolhas que nos aproximem de Deus e que nos conceda paciência quando não conseguirmos perceber Seus sinais.
Que a paz de Jesus fortaleça nossa fé e que o amor de Maria nos sustente nos momentos de silêncio. 💙
Nos vemos em breve, se Deus quiser.
Forte abraço!